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segunda-feira, 15 de maio de 2017

Uso da tecnologia facilita engajamento de alunos com deficiência

Além de ampliar a autonomia de estudantes, ferramentas digitais podem ser aliadas para transformar práticas e criar ambientes inclusivos
por Marina Lopes  
A tecnologia é uma importante aliada de professores para garantir a autonomia dos alunos, seja para amenizar barreiras ou para personalizar o aprendizado. Quando se fala em ambientes inclusivos, é comum pensar em tecnologias assistivas, que promovem ou ampliam as habilidades funcionais de pessoas com deficiência, mas professores dedicados a trabalhar a inclusão na escola também reconhecem que as ferramentas digitais têm um potencial de engajar os alunos nas práticas de aprendizagem.
No Colégio Planck, em São José dos Campos (SP), o professor Glauco de Souza Santos percebeu durante as aulas de história que o uso de novas tecnologias e metodologias ativas facilitava a inclusão dos alunos com deficiência.
Incomodado com a sua prática em sala de aula, há quatro anos ele se juntou a outros educadores para fazer parte de um grupo de experimentação em ensino híbrido –metodologia que usa a tecnologia para mesclar o aprendizado online e offline. Mergulhado em novas possibilidades para ensinar história, o professor começou a notar que uma aula expositiva de cinquenta minutos não era suficiente para garantir a aprendizagem de todos. “Muitos alunos não conseguiam captar as informações e acabavam ficando para trás”, lembra Glauco, que também é coordenador pedagógico do Colégio Planck.
Diferente de uma aula expositiva, em que só alguns conseguem reter a informação, o ensino híbrido facilita a inclusão

A partir daí, o contato com metodologias ativas incentivou o educador a experimentar novos formatos de aulas com uso de tecnologia. Para explicar sobre regimes totalitários no ensino médio, por exemplo, ele apostou na sala de aula invertida: gravou uma videoaula para os alunos aprendem o conteúdo em casa e reservou o tempo em sala apenas para debater o assunto. “Foi interessante notar que cada aluno aprendeu no seu ritmo. Enquanto alguns contaram que assistiram ao vídeo apenas uma vez, outros precisaram pausar e voltar várias vezes”, relata. Nessa dinâmica, Glauco diz que a aula começou a se tornar mais atraente para toda a turma. “Eu percebi que tinha algo no ensino híbrido que engajava os alunos com deficiência”, conta.
Em outro tópico sobre democracia na Grécia Antiga, o professor adotou o modelo de rotação por estações. A aula incluía diferentes atividades simultâneas, como pesquisar na internet, assistir a um vídeo do canal History Channel ou usar o material digital do colégio para responder algumas perguntas. “Os alunos poderiam escolher por onde iriam começar a aula e trocavam de estação conforme o próprio ritmo. No final da aula, era possível identificar quem tinha um desempenho maior com vídeo, apresentava dificuldade com texto ou precisava desenvolver melhor as habilidades de pesquisa”, explica ele.
Para o professor do ensino médio, que tem alunos com autismo e déficit de atenção, a metodologia ajuda a ampliar o envolvimento de toda a turma. “Quando você possibilita que o aluno não fique só ouvindo, de alguma forma você vai conseguir captar a atenção dele. Diferente de uma aula expositiva, em que só alguns conseguem reter a informação, o ensino híbrido facilita a inclusão”, defende Glauco, que aposta na diversificação de atividades como um caminho para valorizar a maneira de aprender de cada estudante.
Na Grande São Paulo, em Mogi das Cruzes, a professora Maria de Lourdes Pezzuol também começou a investir na diversificação de atividades e no uso de tecnologia para incluir alunos com deficiência durante as aulas de educação física. Responsável por turmas da EJA (Educação de Jovens e Adultos) e dos anos finais do ensino fundamental, na Escola Estadual Vereador Narciso Yague Guimarães, e do sexto ao oitavo ano, na Escola Estadual Reverendo Osmar Teixeira Serra, ela organiza a aula com diversas práticas esportivas acessíveis para todos os estudantes.
“Se eu vou trabalhar atletismo, não dá para colocar todos os alunos para fazer exatamente a mesma atividade. A gente precisa pensar em estratégias para que eles participem do esporte dentro dos gostos e preferências deles. É como se fosse no ensino híbrido: uma aula com vários recursos para os alunos”, comenta Maria de Lourdes, que tem especialização na área de educação inclusiva. Para contextualizar as modalidades, a professora também começou a usar os recursos disponíveis no laboratório de informática das escolas. Hoje ela mescla as aulas práticas com momentos de investigação sobre diferentes esportes.
Nas atividades dentro do laboratório, a professora organiza a turma em grupos que sempre envolvem alunos com maior e menor domínio das ferramentas digitais. “Às vezes o aluno tem dificuldade para escrever, mas na sala de informática ele consegue digitar as letras. Isso é muito bom para a autoestima deles”, destaca Maria de Lourdes. Com o intuito de trabalhar os conteúdos associados ao esporte, ela recorre a diferentes objetos digitais de aprendizagem disponíveis na plataforma Currículo + (versão customizada da Escola Digital para a Secretaria Estadual de Educação de São Paulo). “Eu trabalho com caça-palavras, jogos e vídeos. Estou fazendo com que os alunos se adaptem, porque a tecnologia também é importante para a aprendizagem deles, independente de ir para a quadra jogar.”
De acordo com ela, nessas aulas é possível notar que os alunos com deficiência ficam mais motivados porque conseguem desenvolver as atividades no seu ritmo. “A tecnologia é viva, colorida e lúdica. Ela potencializa a inclusão porque você não fica apenas em uma metodologia”, diz Maria de Lourdes, que reafirma a importância de oferecer diferentes opções para a turma. Durante as atividades, ela conta que também estimula que os alunos façam pesquisas e montem apresentações com curiosidades sobre os esportes no PowerPoint, trabalhando um pouco com design e animação. “Quando o aluno tem autoestima, eu acho que a aula flui. A metodologia diversificada e diferenciada traz muito progresso.”
A tecnologia é viva, colorida e lúdica. Ela potencializa a inclusão porque você não fica apenas em uma metodologia

O progresso, apontado por Maria de Lourdes, foi observado na prática pelo professor carioca Douglas Neves, mais conhecido pelos colegas como Doug Alvoroçado. Com graduação em pedagogia, ele sentiu a necessidade de buscar especialização em educação inclusiva quando recebeu na sua turma um aluno com dificuldade de aprendizagem e uma aluna com deficiência visual. “Eu fiz uma série de adaptações do material e assim começou o meu trabalho. Um ano depois me ofereceram ir para a sala de recursos, onde comecei a trabalhar para que a inclusão acontecesse dentro da escola”, lembra.
Na rede municipal do Rio de Janeiro, o professor passou a usar recursos tecnológicas para possibilitar que os alunos com deficiência pudessem acompanhar os conteúdos apresentados em sala de aula. “Eu tinha que explicar sobre fotossíntese para uma criança que não ouvia, não sabia ler e nem escrever. Para facilitar a minha vida e a do aluno, comecei usar imagens, produzir vídeos e apresentar explicações em aplicativos”, exemplifica Doug, que hoje faz parte do time de professores inovadores certificados pelo Google.
A tecnologia amplia a aprendizagem e horizontaliza o acesso. Ela constrói uma ponte entre o aluno e o conteúdo

Para trabalhar conceitos geográficos de bairro com uma aluna, por exemplo, o professor criou aulas no Google Street View. “Eu não tinha como levar a criança para rua e sair explicando. Eu desenvolvia aulas com recursos digitais para o aluno entender a matéria de geografia, matemática, inglês e artes”, cita. O trabalho com alunos surdos também possibilitou que o educador ampliasse o seu repertório imagético. “Eles me proporcionaram um letramento visual que eu não tinha. Eu fazia todo um trabalho com imagens que não era só para o aluno com deficiência, mas para toda a turma.”
Após mais de dez anos de experiência na rede municipal, hoje o professor se dedica ao curso de mestrado profissionalizante na área de ensino, do Colégio de Aplicação da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). Como projeto aplicado, ele está trabalhando no desenvolvimento de aplicativos e metodologias de letramento visual para facilitar a compreensão de textos. “A tecnologia amplia a aprendizagem e horizontaliza o acesso. Ela constrói uma ponte entre o aluno e o conteúdo.”
E o professor ainda completa: “Quando você usa a tecnologia, você amplia o espectro de aprendizagem do aluno. Primeiro, porque ela é atraente e inovadora. E, segundo, porque você consegue suprir as necessidades de cada um. Às vezes um aluno não aprende só ouvindo, ele precisa de algo visual. Outros precisam de uma experiência maior para visualizar um conteúdo de forma prática.”

FONTE: Porvir

domingo, 28 de fevereiro de 2016

10 maneiras para inovar na volta às aulas

Porvir reuniu dicas a partir de experiências relatadas por professores no Diário de Inovações que podem inspirar mudanças em outras salas de aula este ano
O período de volta às aulas pode ser uma boa oportunidade para rever práticas e adotar novas estratégias pedagógicas. Sabe aquele conteúdo que os seus alunos têm dificuldade em aprender ou até mesmo desinteresse? É possível usar novas metodologias ou ferramentas tecnológicas para torná-lo mais atrativo e divertido. A partir de experiências compartilhadas por professores de várias regiões do país na seção Diário de Inovações, o Porvir reuniu dicas para quem quer inovar neste ano letivo. São experiências que já estão sendo colocadas em prática com bons resultados e podem inspirar mudanças em outras salas de aula.
As ideias envolvem jogos, dispositivos móveis, redes sociais e outras estratégias que podem ser aplicadas em diferentes disciplinas e etapas de ensino. Confira a lista:


1- Adote novas metodologias

Experimentar novas metodologias pode ser um bom caminho para quem pretende inovar. A professora Jorgelina Tallei, da UNILA (Universidade Federal da Integração Latino-Americana), em Foz do Iguaçu (PR), apostou na metodologia da sala de aula invertida para manter os alunos motivados na disciplina de Espanhol. Enquanto eles estudavam os conteúdos em casa, por meio de vídeos publicados no YouTube, o tempo da aula era aproveitado para incentivar a interação e fazer pesquisas. Já o professor José Moran, um dos fundadores da Escola do Futuro, descobriu o ensino híbrido há mais de 25 anos, combinando o aprendizado online e offline com as suas turmas de pós-graduação na USP (Universidade de São Paulo).
2- Explore novos espaços

O aprendizado não precisa ficar restrito ao ambiente da sala de aula. Em Salvador (BA), para fazer uma pesquisa sobre o que os moradores achavam da escola e quais atividades gostariam de encontrar lá, o professor Luiz André Degaut levou os alunos para os becos e vielas do bairro Santa Cruz. Já a professora Alessandra Calegaris Marins de Paulo, da capital paulista, teve a ideia de fazer uma intervenção urbana com alunos do ensino fundamental, pintando monstros divertidos em buracos nas calçadas. E para trabalhar questões étnico raciais e fortalecer a identidade dos alunos, o professor Leno Vidal propôs a redescoberta de uma comunidade indígena em São Paulo.
3- Trabalhe com as redes sociais

Hoje em dia, é quase impossível encontrar alguém que não faça parte de alguma rede social. Por isso, é importante que os professores saibam utilizar essas ferramentas a seu favor. A professora Mariana Araguaia, de Senador Canedo (GO),  melhorou a percepção que seus alunos tinham sobre alimentação propondo atividades em um grupo do Facebook. Já Debora Machry usou o WhatsApp para incentivar a leitura sobre ciências em São Leopoldo (RS). Pedro Satiro, por sua vez, aproveitou uma discussão entre alunas na internet para trabalhar questões como cyberbullying e os perigos das redes sociais, em São Paulo (SP).
4- Use exemplos do dia a dia

É muito importante que os alunos consigam aplicar aquilo que aprendem em sala de aula. Por isso, usar exemplos do dia a dia pode ressignificar a aprendizagem. Para explicar conceitos como movimento e velocidade média, o professor Eduardo Nagao, de Londrina (PR), levou seus alunos ao boliche. Já a professora Ana Angélica Santos, de Diamantina (MG), colocou a mão na massa com os alunos e assou uma pizza para explicar frações. Por sua vez, o professor Ivan Matta, de Goiânia (GO), trabalhou as leis de Newton a partir das regras de trânsito, como o uso do cinto de segurança.
5- Aposte nos dispositivos móveis

Com dispositivos móveis é possível desenvolver projetos criativos e divertidos. A professora Luciana Taegtow, de Novo Hamburgo (RS), fez um trabalho sobre selfie em que os alunos fizeram autorretratos e criaram um livro digital. Em Picos (PI), a professora Andréia Vitorino Marcos espalhou QR Codes pela escola para estimular a leitura de poesia. Para ensinar sobre o continente europeu, a professora de geografia Josi Zanette do Canto desenvolveu um aplicativo com a sua turma do nono ano em Araranguá (SC).
6- Transforme os alunos em autores

Projetos que incentivam o protagonismo dos alunos também trazem bons resultados. A professora Gislaine Munhoz, de São Paulo (SP), incentivou sua turma a criar jogos com o Scratch. Já os professores Michael Fernandes e Ana Paula Maia Silva desenvolveram um projeto de educomunicação e transformaram os alunos em repórteres, editando materiais em áudio, vídeo e impresso para divulgar nas redes sociais da escola da rede municipal de São Paulo. E para transformar, literalmente, alunos em autores, o professor Luis Junqueira apoiou adolescentes para escreverem o seu primeiro livro na Fundação Casa, também em São Paulo.
7- Invista no teatro e em filmes

O uso de teatro como ferramenta de ensino faz com que os alunos fiquem mais envolvidos e motivados. No Espírito Santo, a professora Stéphani Bertulani usou a encenação para explicar a evolução tecnológica. Já em uma zona rural de São Luís (MA), sob o comando da professora Ana Jakelline Silva, os estudantes desenvolveram uma peça teatral para sensibilizar a comunidade quanto a práticas sustentáveis. Filmes também têm um forte apelo entre crianças e jovens e, aproveitando-se disso, a professora Rosângela Queiroz, da capital paulista, desenvolveu um projeto a partir da animação brasileira “O Menino e o Mundo”, que foi indicada ao Oscar.
8- Trabalhe questões sociais e de diversidade de forma criativa

Como trazer discussões sociais e relativas à diversidade para a sala de aula? Fazendo um paralelo entre realidade e ficção, o professor José Souza dos Santos apresentou obras sobre retirantes aos seus alunos do interior da Bahia. Marlúcia da Silva montou um julgamento com a sua turma, em Marataízes (ES), para analisar as letras de músicas do funk. Gina Vieira, de Brasília, driblou a resistência a trabalhar questões de gênero na escola e criou um projeto que conta história de mulheres inspiradoras. E o professor Isaias dos Santos usou o universo digital para publicar livros digitais de seus alunos sobre personagens negros na literatura em Campo Bom (RS).
9- Promova a empatia

Estimular que alunos se coloquem no lugar do outro e conheçam diferentes realidades ajuda na formação socioemocional dos estudantes. Nas aulas de Educação Física, de Campo Grande (MS), o professor Tiago Tristão propõe atividades alternativas para que as diferentes personalidades dos alunos possibilitem novas vivências. A professora Maria Verúcia, por sua vez, incentivou que seus alunos de Brasília trocassem experiências culturais com estudantes de Cabo Verde por meio de cartas.
10 – Use jogos como aliados

Por fazerem parte do universo de crianças e jovens, os games podem ser utilizados facilmente como ferramenta de promoção da aprendizagem. A professora Marili Bassini, Americana (SP), usou videogames para ensinar sobre períodos históricos. Já nas aulas de artes em São Paulo (SP), a professora Sabrina Quarentani usou o Minecraft para apresentar o Impressionismo a seus alunos. No ensino técnico em Ivinhema (MS), o professor Alex Rodrigues Machado criou um jogo de tabuleiro para ensinar o funcionamento de uma indústria de açúcar e álcool.

por Marina Lopes / Maria Victória Oliveira
 FONTE: Porvir

sábado, 26 de setembro de 2015

Porvir lança guia temático Tecnologia na Educação

Especial apresenta a importância do uso de ferramentas digitais no ensino; os principais recursos tecnológicos usados para ensinar e aprender; como criar infraestrutura nas escolas; exemplos de aplicação prática e tendências

A tecnologia alterou a nossa forma de consumir, produzir, exercer a cidadania e se relacionar. E está, também, mudando a forma de aprender e ensinar. Quando o computador chegou às escolas brasileiras, a proposta era educar para o uso de tecnologias; hoje, usamos a tecnologia para educar. É a tecnologia, inclusive, que vai nos permitir superar três grandes desafios da educação: equidade, qualidade e contemporaneidade. Com a proposta de investigar como a tecnologia está transformando a educação e o que é preciso fazer para universalizar o uso de ferramentas digitais em escolas brasileiras, o Porvir – programa do Instituto Inspirare – apresenta o guia inédito Tecnologia na Educação.
O site foi lançado hoje (26), na Câmara dos Deputados,  em Brasília, no Seminário Escolas Conectadas: equidade e qualidade na educação brasileira, que reuniu cerca de 150 pessoas, entre secretários de educação, deputados, representantes dos ministérios da Educação e de Comunicações.
Em cinco capítulos, o guia temático aborda a importância da tecnologia para a educação; os principais recursos tecnológicos usados para ensinar e aprender; como criar a infraestrutura necessária para usar tecnologia nas escolas; quais os exemplos de aplicação de tecnologia na prática – cases inspiradores; e o que está por vir para o futuro da tecnologia na educação, que destaca tendências. No terceiro capítulo, por exemplo, o conteúdo do guia Tecnologia na Educação reúne exemplos de governos e redes de ensino que investem na criação de infraestrutura adequada à tecnologia: internacionais (Estados Unidos e Uruguai); e brasileiras, implementados no Paraná, Amazonas e Ceará. Em “metodologias em sala de aula”, são abordados casos de utilização de tecnologia na escola.
Segundo Anna Penido, diretora do Instituto Inspirare, a tecnologia não vai resolver todos os problemas educacionais; há a necessidade de mesclar o online e offline, que resulta no ensino híbrido – atividades no computador e experiências/interações presenciais, que são fundamentais à promoção do desenvolvimento de forma integral. “É preciso, também, ter cuidado para que a tecnologia não crie uma versão digital de práticas pedagógicas tradicionais. Não é a mera substituição, mas a oportunidade de fazermos coisas impossíveis; de novas abordagens mais disruptivas para trazer a educação brasileira para o século 21. É disso que estamos tratando no guia Tecnologia na Educação”, detalha Anna.

Na análise trazida pelo guia temático, a tecnologia, assim como tem poder de contribuição, também pode prejudicar – seja gerando dispersão, seja ampliando a desigualdade entre os que têm acesso e os que não. Entre as conclusões está a convicção de que a tecnologia pode transformar a educação quando a infraestrutura adequada é garantida para todos, quando se usam recursos digitais diversificados e qualificados e com uma boa formação de para professores usarem recursos digitais. Para essa transformação, a mobilização da sociedade – especialmente família e alunos – são essenciais. Por isso, no seminário em Brasília,  também foi apresentado a campanha que pede 10 MEGA de Internet nas escolas até 2016, convidando o público a participar e divulgar a ação.
FONTE: Porvir

quinta-feira, 4 de junho de 2015

ENSINO HÍBRIDO OU BLENDED LEARNING


   
É a combinação do aprendizado on-line com o offline, em modelos que mesclam (por isso o termo blended, do inglês “misturar”) momentos em que o aluno estuda sozinho, de maneira virtual, com outros em que a aprendizagem ocorre de forma presencial, valorizando a interação entre pares e entre aluno e professor.

Normalmente, a parte presencial prescinde de tecnologia. Nessa etapa, o professor ou tutor se torna responsável por propor atividades que valorizem a interações interpessoais. Aqui, o professor pode propor trabalhos que envolvam toda a turma ou pode dividi-la em grupos menores para a realização de projetos.

Já a parte do ensino realizada com o auxílio de recursos digitais permite que o aluno tenha controle sobre onde, como, o que e com quem vai estudar. Nesse sentido, os dispositivos móveis, como tablets e celulares, e a facilidade de utilizá-los em diferentes ambientes abriu o leque de possibilidades sobre onde esse componente pode ser desenvolvido: dentro da própria sala de aula, na biblioteca, no laboratório de informática e até em casa.

Apesar de serem momentos diferentes, o on-line e o presencial, o objetivo do aprendizado híbrido é que esses dois momentos sejam complementares e promovam uma educação mais eficiente, interessante e personalizada. Já há um esforço da academia e das instituições que estudam o ensino híbrido de categorizar as formas como ele vem se manifestando nas diferentes instituições de ensino que optam por adotá-lo.

Confira, a seguir, uma lista com alguns dos arranjos possíveis de combinação de ensino on-line e offline.

Rotação

Ocorre, normalmente, em uma disciplina específica, na qual os alunos rotacionam por modalidades diferentes de aprendizagem. Um dos formatos possíveis é que o professor monte “estações” com propostas diferentes. Em uma, parte dos alunos podem se dedicar ao ensino via plataformas digitais. Em outra, os estudantes podem estar desenvolvendo projetos em pequenos grupos. Em uma terceira, outro grupo de alunos pode estar com o professor, tirando dúvidas.

Flex

A plataforma on-line é a espinha dorsal desse tipo de ensino. Professores estão por ali, em maior ou menor proporção, tirando dúvidas que apareçam pessoalmente, para cada um ou para grupos pequenos.

Laboratório on-line

Uma plataforma on-line entrega o curso inteiro, mas num lugar físico. Frequentemente os alunos que participam do laboratório também têm aulas tradicionais.

FONTE: Porvir